___________________________________________________________________
Sejam bem-vindos ao blog 'Magnetismo'!

Abordaremos aqui temas especialmente relacionados ao 'Magnetismo Animal', suas aplicações aos métodos de cura e sua ligação com a Doutrina Espírita, entre outros temas afins.

Agradecemos a sua visita!
___________________________________________________________________
Mostrando postagens com marcador Histórico. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Histórico. Mostrar todas as postagens

Magnetismo e Hipnotismo


Histórico
No tempo de Ísis (Egito), os sacerdotes caldeus utilizavam os passes para o restabelecimento da saúde humana. No século XV muito se falava na simpatia magnética, designando um sistema análogo nas suas bases essenciais, ao que tinha sido formulado por Paracelso. No século XVII Van Helmont, muito citado na Alta Magia, afirmava ter obtido curas valiosas com a aplicação do ímã e de placas metálicas nos corpos de doentes. Um contemporâneo dele, o jesuíta Hell, que também era físico de renome, obteve efeitos interessantes com a aplicação do ímã não só nos homens, mas também nos animais.
Até por volta do início do século XIX, a medicina era algo totalmente diferente do que conhecemos na atualidade e não havia uma nítida separação entre o médico, o curandeiro e o charlatão. Tal fato fez com que padres e até Reis do século XVI se auto-intitulassem “homens de cura”. A iniciativa dos padres era bem óbvia, uma vez que naquele tempo o conhecimento estava centrado na mão da Igreja Católica. Eram pouquíssimas as pessoas que sabiam ler e os livros, além de raríssimos, eram guardados nos monastérios. Os reis, por sua vez, eram privilegiados, pois detinham o poder financeiro e bélico e tinham acesso à educação e ao conhecimento de livros e tratados antigos que falavam, entre outras coisas, sobre como curar as doenças.
Atribuía-se uma verdadeira revolução na medicina do século XV às obras de Paracelso (1493-1541). Sua teoria magnética, ou Sistema da Simpatia Magnética, defendia que os ímãs, assim como eram capazes de atrair o ferro, também poderiam atrair certas enfermidades e doenças (Prado, 1967). Durantes alguns séculos a aplicação de ímãs no corpo para curar enfermidades foi um dos tratamentos de saúdes mais populares que existiam. E o mais interessante ainda era que não faltavam relatos de cura de doenças, e melhoria dos sintomas após a aplicação da terapia magnética. Alguns padres jesuítas passaram a usar o “poder do ímã” até para realizar exorcismos.
O ímã cura os fluxos dos olhos, dos ouvidos, do nariz e das articulações externas; por este mesmo método se curam as úlceras, as fístulas, o câncer e os fluxos menstruais. Também contribui para resolver as fraturas e cura a icterícia e a hidropsia, segundo a prática me tem demonstrado com frequência. - Relato de curandeiros do Séc. XVI.
Foi a partir da posterior constatação, em 1786, de que os ímãs não possuíam qualquer propriedade curativa, que se abriu o caminho para uma nova explicação do porquê de algumas pessoas se diziam curadas. Como resposta, os cientistas descobriram que a sugestão e a imaginação poderiam ser os responsáveis pelas curas. Ou seja, a “mente”, que por muitos anos fora deixada de lado pelos médicos naturalistas, que preferiam buscar explicação na anatomia e na fisiologia, passou a ser a principal suspeita de ser a responsável pelas curas.
Foi, contudo, Franz Anton Mesmer, médico, quem estudou os mistérios científicos até então cuidadosamente guardados em segredo pelos seus predecessores com sendo coisa de magia. Admitia Mesmer que, assim como o ímã, as mãos e os olhos de alguns indivíduos podiam irradiar um fluido especial proveniente do próprio organismo, com influência nos indivíduos e nos próprios animais. As teorias mesmerianas foram combatidas em Viena, motivo por que Mesmer tranferiu residência para Paris em 1778. Em 1779 ele publica a obra Magnetismo Animal, em que expõe a tese defendida até então, ou seja, a existência de um fluido que interpenetrava tudo e que dava às pessoas, propriedades análogas àquelas do ímã. Teve boa aceitação, mas depois caiu em descrédito.
Em 1784, o Marquês de Puységur, discípulo de Mesmer, descobrira Sonambulismo Artificial e em 1787 Pététin descobria a Catalepsia Artificial. Em 1841, Braid descobre o hipnotismo. Charcot o estuda metodicamente, Liebault o aplica à clínica e Freud o utiliza ao criar a Psicanálise.
O Magnetismo
Em Física: Fluido emanado do ferro magnético e dos ímãs, que tem a propriedade de atrair outros metais e de orientar a agulha magnética em direção Norte-Sul.
Teoria do Magnetismo Animal: Existe no indivíduo uma força latente que pode ser emitida mediante a ação da vontade. Esta força apresenta analogia com a eletricidade e o magnetismo mineral e existe em todos os seres vivos no estado estático e no estado dinâmico, circulando ao longo das fibras nervosas e irradiando para o exterior pelos olhos, pelas pontas dos dedos e pela boca, com maior ou menor intensidade da vontade.
Segundo Michaelus, o mesmerismo foi o arauto do magnetismo para a sociedade com suas vinte e sete proposições em “Memóire sur la découvet du magnétisme animal, destacando-se: “essas propriedades podem ser transmitidas a outros corpos animados ou inanimados; a moléstia é apenas resultante da falta ou do desequilíbrio na distribuição do magnetismo pelo corpo; e Rouxel em “Rapports du magnétisme et du Spiritismeafirmou ser o magnetismo uma transfusão de vida espiritualizada do organismo do operador para o paciente.
O Hipnotismo
Deriva de Hipnose, palavra introduzida por James Braid em 1843. Provém da palavra grega hypnos, que na mitologia helênica significa Deus do sono, chamado Sommus pelos romanos. O termo não é feliz, uma vez que dá a errônea impressão de ser a hipnose igual ao sono. Hypnos quer dizer sono, mas os estados hipnóticos não são obrigatoriamente tranquilos e semelhantes ao sono. Braid, após propor o termo hipnose, observou que a mesma distinguia-se de um estado de sono, porém o termo já havia se consagrado. O hipnotismo são os vários processos, pelos quais uma pessoa dotada de grande força de vontade exerce sua influência sobre outras pessoas de ânimo mais débil, numa espécie de êxtase (ou transe).
Nasceu com Braid o primeiro esboço da neurofisiologia da hipnose. Na realidade, há indícios do uso da hipnose desde tempos muito remotos, onde eram utilizadas induções hipnóticas nas várias civilizações, encontrando-se a mesma fenomenologia em muitas partes do mundo. Os hebreus, os astecas, os índios americanos chippewas e os araucanos do sul do Chile sabiam induzir o “sono mágico” e outras formas de transes grupais e individuais. Podiam produzir analgesia, gravar sugestões pós-hipnóticas e curar dores físicas ou psicossomáticas. Chiron induzia o estado de transe em seu grande discípulo Esculápio. O “sono mágico” era usado tanto nos Templos do Sono egípcios, como individualmente por sibilas e oráculos. Andrade Faria, relata que num baixo relevo encontrado num sarcófago de Tebas, nota-se um sacerdote em pleno ato de indução hipnótica de um paciente. Os egípcios, os caldeus e os hindus realizavam induções através de rituais mágico-religiosos há milênios.
A Era Científica da hipnose começou com o alemão Franz Friedrich Anton Mesmer, que em 1775, diplomou-se em medicina onde apresentou sua tese de formatura “De planetarium influxu, inspirada em idéias filosóficas e teosóficas do século XVI e XVII, como por exemplo as de Paracelso. Defendia em sua tese que corpos celestes influenciavam na cura de doenças. Existiria um fluido ou energia universal interligando os corpos e os astros, sendo captado e emitido pelo ferro magnético. Aos poucos, Mesmer percebe que o ferro imantado não é necessário, pois parecia que ele mesmo podia emitir essa força magnética curadora recebida dos astros, a qual então ele passa a chamar de “magnetismo humano”, que podia ser transmitido em cadeia para outras pessoas. O sensacionalismo e as perseguições, não permitiram a Mesmer introduzir suas descobertas nas universidades. Mudou-se para Paris onde todavia se repetem os sucessos espetaculares e o insucesso científico. A repercussão das curas alcançada por Mesmer, leva o Rei da França, Luís XVI, a nomear uma comissão da Sociedade Real de Medicina e outra da Academia de Ciências para analisar métodos tão pouco ortodoxos. Foram convidados os maiores expoentes da cultura científica francesa, entre os quais Lavoisier, Benjamin Franklin, Jussieu e Guillotin. Apenas Jussieu não considera as curas maravilhosas como resultados da sugestão.
Podemos afirmar que a hipnose pode ser vista como “antes de Mesmer” e “depois de Mesmer”, embora o termo hipnose só tenha surgido com James Braid.

James Braid, com bases no mesmerismo, apresentando um quadro fisiológico, apresentou o hipnotismo moderno, definindo-o como: “o estado particular do sistema nervoso, determinado por manobras artificiais, tendendo, pela paralisia dos centros nervosos a destruir o equilíbrio nervoso, entretanto, Charles Richet, ao descrever o seu método, afirmou: “o hipnotismo tratava-se de projetar o fluido magnético no corpo do paciente.

O Hipnotismo moderno admite que o paciente fica hipnotizado por auto-sugestão e concentração mental, não havendo fluido algum. Os cientistas não aceitaram o termo magnetismo; preferiram o hipnotismo. Apenas o hipnotismo é aceito pela ciência. Ficou assim prestigiado o hipnotismo através dos tempos pela ciência oficial e relegado o magnetismo com os seus passes as suas imposições e os seus fluidos para o monturo das teorias condenadas como obra do charlatanismo. (Michaelus, in Magnetismo Espiritual, Ed. FEB, 1967).

Fontes:

* * *
Há quem diga que o ato de hipnotizar se filia à ciência de atuar sobre o espírito alheio, e, para que a impressão provocada, nesse sentido, se faça duradoura e profunda é imperioso se não desenvolva maior intimidade entre o magnetizador e a pessoa que lhe serve de instrumento, porquanto a faculdade de hipnotizar, para persistir em alguém, reclama dos outros obediência e respeito.

Exteriorizando-se em mais rigoroso regime de ação e reação sobre si mesma, a corrente mental dos assistentes capazes de entrar em sintonia com o toque de indução do hipnotizador passa a absorver-lhe os agentes mentais, predispondo-se a executar-lhe as ordens.

Semelhantes pessoas não precisarão estar absolutamente coladas à região espacial em que se encontra a vontade que as magnetiza. Podem estar até mesmo muito distanciadas, sofrendo-lhe a influência através do rádio, de gravações e da televisão.

Desde que se rendam, profundamente, à sugestão inicial recebida, começam a emitir certo tipo de onda mental com todas as potencialidades criadoras da ideação comum, e ficam habilitadas a plasmar as formas-pensamentos que lhes sejam sugeridas, formas essas que, estruturadas pelos movimentos de ação dos princípios mentais exteriorizados, reagem sobre elas próprias, determinando os efeitos ou alucinações que lhes imprima a vontade a que se submetem.”
Do livro 'Mecanismos da Mediunidade'
Pelo espírito André Luiz
Psicografia Francisco Cândido Xavier

As experiências de Mesmer (Parte 2)


Mesmer publicou uma “História da descoberta do Magnetismo Animal” em 1779, na qual ele enumerava seus experimentos, e acrescentava a eles vinte e sete proposições. Ele declarava que:



"Só a experiência vai dissipar as nuvens e lançar luz sobre esta importante verdade: que a Natureza oferece meios universais de cura e preservação do homem."



As seis primeiras proposições estabelecem a existência e atividade cíclica do magnetismo animal:



1. Existe uma influência mútua entre os Corpos Celestes, a Terra e os Corpos Animados.



2. Um fluido universalmente distribuído e contínuo, que é muito diferente do vácuo e de natureza incomparavelmente rarefeita, e por cuja natureza é capaz de receber, propagar e transmitir todas as impressões de movimento, é o meio desta influência.



3. Esta ação recíproca é subordinada a leis mecânicas que são até então desconhecidas.



4. Esta ação resulta em efeitos alternados que podem ser considerados como um Fluxo e Refluxo.



5. Este fluxo e refluxo é mais um menos geral, mais ou menos particular, mais ou menos compósito, de acordo com a natureza das causas que o determinam.



6. É por esta operação (a mais universal daquelas apresentadas pela Natureza) que as proporções de atividade são estabelecidas entre os corpos celestes, a terra e suas partes componentes.



As quatro proposições seguintes explicam a relação do magnetismo animal com a matéria e fazem uma analogia com o magneto:



7. As propriedades da Matéria e dos Corpos Orgânicos dependem desta operação.



8. O corpo animal suporta o efeito alternado deste agente que, insinuando-se na substância dos nervos, afeta-os imediatamente.



9. É particularmente manifesto no corpo humano que o agente tem propriedades similares às do magneto; pólos diferentes e opostos podem igualmente ser distinguidos e podem ser mudados, comunicados, anulados e reforçados; até mesmo o fenômeno de oscilação é observado.



10. Esta propriedade do corpo animal, que o deixa sob a influência dos corpos celestes e das ações recíprocas daqueles que o rodeiam, como demonstrado pela sua analogia com o Magneto, induziu-me a denominá-la MAGNETISMO ANIMAL.



Depois de três proposições sobre a comunicabilidade do magnetismo animal, Mesmer compara sua atividade às da luz, som e eletricidade:



14. Sua ação é exercida à distância, sem auxílio de um corpo intermediário.



15. É intensificado e refletido por espelhos, assim como a luz.



16. É comunicado e intensificado pelo som.



17. Esta propriedade magnética pode ser armazenada, concentrada e transportada.



Ele sugere que existe uma força positiva oposta que poucos corpos contêm e que tem características similares ao magnetismo animal. Então ele explica a diferença entre magnetismo animal e mineral e mostra a relação entre eles:



20. O Magneto, tanto o natural como o artificial, junto com outras substâncias, é suscetível ao Magnetismo Animal, e mesmo à propriedade oposta, sem que seu efeito sobre o ferro e a agulha sofram qualquer alteração em ambos os casos; isto prova que o princípio do Magnetismo Animal difere essencialmente do magnetismo mineral.



21. Este sistema fornecerá novas explicações sobre a natureza do Fogo e da Luz, bem como sobre a teoria da atração, do fluxo e do refluxo, do magneto e da eletricidade.



22. Fará conhecer que o magneto e a eletricidade artificial só têm, no que tange às doenças, propriedades que compartilham com diversos outros agentes providos pela Natureza, e que se efeitos úteis têm derivado do uso da última, eles são devidos ao Magnetismo Animal.



Mesmer conclui com a observação de que “o magnetismo animal pode curar desordens nervosas diretamente e outras desordens indiretamente. Ele pode ser usado junto com remédios, embora pressuponha uma nova teoria sobre a doença. Quando dominado, contudo, habilita o médico a aperfeiçoar sua arte de modo que possa tratar sem receio de fazer mal e assim aliviar os sofrimentos da humanidade.”



A França ofereceu a Mesmer uma pensão em 1780, e ele viveu um período de relativa paz. Em 1782 ele uniu-se a Saint-Martin, Saint-germain e Cagliostro na Convenção Maçônica de Wilhelmsbad. Embora raramente aparecessem juntos em público, eram todos Maçons e membros da Fratres Lucis e mantinham comunicação privada. Um ano mais tarde, Mesmer fundou a Ordem da Harmonia Universal, ostensivamente para instrução sobre o magnetismo animal, mas secretamente para o ensino de antigas práticas de cura dos 'Asclepeia', ou templos de cura. Dentro de um ano as academias ortodoxas haviam reiterado seus antigos ataques, e em março de 1784 o Rei Luís ordenou uma investigação das teorias e tratamentos de Mesmer.



Os acadêmicos indicaram um comitê que incluía entre seus membros Benjamin Franklin, então Embaixador Americano na França, o astrônomo Baille, o químico Lavoisier e o botânico Jussieu. A despeito da pressão das academias, seu compromisso com a observação na ciência impediu que negassem a eficácia das curas de Mesmer, mas suas concepções cruamente empíricas e Aristotélicas sobre o homem tornaram-lhes impossível a crença em um princípio - o magnetismo animal - que não podia ser diretamente percebido fisicamente. Seu relatório, publicado em 11 de agosto de 1784, afirmava a existência de curas admiráveis, mas sustentava que uma vez que o magnetismo animal em si não é observável diretamente, não pode existir, e portanto as curas deviam ser atribuídas á imaginação dos próprios pacientes. Assim, com base em um princípio que não é aceitável na ciência, e mesmo que as curas fossem admitidas e o comitê advertisse contra qualquer ação semelhante, Mesmer foi denunciado como impostor. Mesmer encontrou-se no meio do levante social e político. Em 1791 a Revolução forçou-o, ele agora na penúria, a deixar a França. Ele retirou-se então para a pequena cidade de Frauenfeld perto de Zurique, e discretamente tratava dos camponeses locais sem revelar sua identidade.



Um pequeno volume, “Memórias de F. A. Mesmer”, apareceu em 1799. Mais uma vez ele explicava os fundamentos de sua teoria, mas agora mergulhava no verdadeiro coração da operação magnética.



"Nós possuímos um sentido interior que está em conexão com todo o universo, e que poderia ser considerado como uma extensão da visão. Possuímos a faculdade de sentir na harmonia universal a conexão dos eventos e seres com a nossa própria conservação... A comunicação da vontade reside em um tipo de convenção entre duas vontades, que poderiam ser ditas estar em sintonia."



A chave para o uso curativo do magnetismo animal é a vontade do médico. Seu estado - a qualidade do desejo e da intenção que o motivam - é crítico para a cura. Daí que só aqueles que são qualificados em termos de força e pureza de vontade podem repetir com sucesso as experiências de Mesmer.



Depois da ascensão de Napoleão Bonaparte ao poder, Mesmer recebeu uma nova pensão. Reconvocado a Paris, Mesmer encontrou uma fresca atmosfera de aceitação e testemunhou um contínuo aumento de sua fama. Por volta de 1812 o Rei da Prússia e a Academia Alemã ofereceram-lhe dinheiro e honras, mas ele recusou, para continuar viajando. Ele desejava, dizia, devotar-se exclusivamente à prática de seu método, de modo que a humanidade “não possa mais ser exposta aos incalculáveis riscos do uso das drogas e sua aplicação”. Em 15 de março de 1815 ele discretamente abandonou o mundo depois de ouvir uma peça de música composta por Mozart e tocado em sua cópia do conjunto de vidros musicais inventado por Athanasius Kircher. A Real Sociedade de Paris e o governo alemão ofereceram postumamente prêmios pelos melhores tratados sobre o Mesmerismo, e um grupo de estudantes continuou suas experiências.



Honrado no século XIX mas largamente despercebido, salvo pelos intuitivos, no século XX, Mesmer deixou uma clara delineação das bases da cura mental e fisiológica. Se houver um desvio das concepções patológicas da medicina em direção a um entendimento e prática fundados na vitalidade e harmonia, então uma agradecida humanidade prontamente apreciará Mesmer. Nora Wydenbruck, revisando suas vastas e permanentes conquistas - na medicina, obra social e elevação do espírito humano - conclui:



"Considerado do ponto de vista privilegiado da história, quando os fios trançados do destino humano aparecem coordenados no desenho de toda a grande tapeçaria, a vida de Mesmer aparece como um fio de ouro brilhante."



Autor: Elton Hall
Tradução: Um Colaborador
Revisão: Osmar de Carvalho
Fonte: www.theosophy.org

As experiências de Mesmer (Parte 1)



A Europa do século XVIII testemunhou a culminação e a confusão da reforma e reorganização coletivas. A inspiração e força da miríade de movimentos impulsionados pelos Rosacruzes e Franco-Maçons energizou as aspirações de classes inteiras de indivíduos que tratavam de antigas feridas sociais e acalentavam uma vasta visão do futuro. A corrupção e fraqueza internas do 'ancien régime' revelaram-se em seu rápido e caótico colapso, e a liberação dos poderes das vontades humanas em conflito obscureceu definitivamente os sinais do renascimento espiritual e social.


Estacionados como centros de controle dinâmico, quatro seres heróicos guiaram os homens através dos eventos da época em direção a uma percepção mais profunda da unidade e uma convicção mais consistente da fraternidade universal - Franz Anton Mesmer, Louis Claude de Saint-Martin, Cagliostro e o Conde de Saint-Germain. Cada um desempenhou um papel preciso, embora largamente oculto, em uma sutil revolução da mente humana. HP.Blavatsky escreveu sobre Mesmer:



"Foi o Conselho de 'Luxor' que o escolheu - de acordo com as ordens da 'Grande Fraternidade' - para atuar no século XVIII como seu pioneiro usual, enviado no último quarto de cada século para iluminar as nações ocidentais com uma pequena porção de conhecimento oculto."



Franz Anton Mesmer (1734-1815) nasceu na Suábia em 23 de maio. Com nove anos entrou em uma escola monástica. Recebeu uma graduação com 15 anos e transferiu-se para a Universidade de Ingolstadt três anos depois. Depois de cuidadoso estudo de Descartes e Wolff, Mesmer voltou-se para o exame do pensamento de Paracelso e seu trabalho rendeu-lhe o grau de Doutor em Filosofia. Embora estudasse Direito durante algum tempo em Viena, seu amor pelos escritos de Paracelso levaram-no a abraçar a Medicina. Tendo completado seus exames com trinta e dois anos, escreveu uma tese sobre Paracelso intitulada 'De Planetarium Influxu', (Da Influência dos Planetas) sobre o corpo humano. Ele sugeria que os planetas liberavam emanações que fluíam para dentro e através de toda vida pela “intensificação e remissão”. Embora um trabalho controverso e visionário, seu entendimento superior da prática médica deu-lhe a graduação médica em 1766.



Mesmer apresentava uma permanente sensibilidade para com as necessidades dos pobres, assistindo-os sem cobrar, enquanto que ganhava sua vida tratando daqueles que poderiam pagar por seus cuidados. Também devotava algum tempo à música. Leopold Mozart veio a ele para tratar-se e logo Mesmer encontrou o jovem Wolfgang Amadeus, cujo prodigioso gênio ele reconheceu imediatamente. Em 1768 Mesmer casou-se com uma viúva dez anos mais velha e construiu um palacete na Landstrasse, um bairro vienense conhecido pelos seus moradores Rosacruzes. A propriedade incluía charmosos jardins rococó e um pequeno teatro.



Durante este agradável período de sua vida Mesmer freqüentemente convidava músicos e tocava com Haydn e Mozart. Quando Mozart ofereceu sua primeira ópera para execução, com a idade de doze anos, o Diretor da Ópera Imperial recusou-se a executá-la sob alegação de que ninguém daquela idade poderia tê-la escrito. Mesmer imediatamente arranjou para que a obra fosse executada em seu próprio teatro. Em gratidão por esta amizade, Mozart prestou uma permanente homenagem musical a Mesmer em sua ópera 'Così Fan Tutte'.



Em 1773 e 1774 Mesmer acolheu Franziska Osterlin em sua própria casa para cuidados e tratamento. Ela sofria de freqüentes convulsões, que por sua vez causavam severas dores em seus ouvidos, delírios, vômitos e desmaios. Um estudo detalhado de seus sintomas, sugeria que o movimento do fluido universal poderia ser facilmente observado nos fenômenos exibidos. Mesmer convenceu-se de que este fluido passava através tanto de corpos animados como inanimados. Na natureza orgânica ele era mais facilmente observado nas propriedades do magnetismo, e Mesmer chamou seu correlato no corpo humano de “magnetismo animal. Convencido de que o alívio temporário que ele havia proporcionado periodicamente poderia se tornar uma cura permanente se reforçado de modo apropriado, Mesmer procurou diversos magnetos junto ao Jesuíta Padre Hell, Professor de Astronomia em Viena, e usou-os para sustar as convulsões. A moça melhorou e por fim recuperou a saúde perfeita, casou e teve filhos.



Estes experimentos ensinaram a Mesmer que o poder do magneto sozinho não era a fonte do efeito curativo. Uma vez que o "Agente Geral" ou magnetismo animal não poderia ser considerada a causa específica da cura, Mesmer percebeu que o poder de dirigir as correntes, que limpavam e restauravam os nervos do paciente, estava diretamente ligado à vontade do médico. Mesmer relatou suas descobertas ao Padre Hell, que imediatamente publicou-as sob seu próprio nome. Ele alegava que a forma e tamanho dos magnetos efetuava a cura quando adaptados adequadamente ao caso, e louvava os magnetos como panacéia para todos os distúrbios. Mesmer sabia que ambas as asserções eram falsas e publicou um anúncio sobre a natureza do magnetismo animal, mas o renome do Padre Hell como astrônomo desviou a atenção pública.



Mesmer convidou o Barão von Stoerck, Presidente da Faculdade de Medicina em Viena e Médico-Chefe da Imperatriz Maria Theresia, para testemunhar suas operações e curas. O Barão replicou que ele não queria ouvir nada sobre a teoria e método do magnetismo animal, pois isso poderia comprometer a Faculdade. Mesmer respondeu a esta recusa publicando uma “Carta a um Médico Estrangeiro”, em janeiro de 1775. Ele notou que o magnetismo animal apresentava propriedades análogas à eletricidade e ao magnetismo.



"Todos os corpos, como o magneto, são capazes de transmitir este princípio magnético; este fluido penetra em tudo e pode ser armazenado e concentrado, como o fluido elétrico; ele age à distância; corpos animados são divididos em duas classes, uma sendo suscetível a este magnetismo e a outra a uma qualidade oposta que suprime sua ação."



A maioria dos membros da comunidade científica continuava a confundir o magnetismo animal com os poderes dos magnetos e questionava a veracidade das experiências de Mesmer. Não obstante, quando Mesmer viajou para Berna e Zurique, os doutores ficaram maravilhados com seu tratamento de casos desesperados. O Eleitor da Baviera consultou Mesmer em Munique e a Academia Bávara de Ciências tornou-o membro seu, enquanto que a Academia de Augsburgo o elogiou.



Em 1776 Mesmer foi visitado pelo Conde de Saint-Germain. O encontro foi mantido no mais estrito sigilo por ambos os homens, embora pareça que eles tenham discutido os aspectos mais elevados do magnetismo e a necessidade de distinguir completamente o magnetismo animal do magneto. Mesmer escreveu mais tarde:



"No desejo de refutar todos estes erros de uma vez por todas, e fazer justiça à verdade, determinei-me a não fazer mais uso nenhum da eletricidade ou do magneto de 1776 em diante."



A casa de Mesmer agora era um hospital. Diversos pacientes eram livres de desordens nervosas, incluindo cegueira. Herr von Paradis, Secretário do Imperador e da Imperatriz da Áustria, tinha uma filha, Marie-Therese, que se tornara inexplicavelmente cega na idade de três anos. Foi-lhe concedida uma pensão pela Imperatriz e ela era conhecida na corte. Depois de anos de tentativas infrutíferas de aliviar sua condição, Marie-Therese foi entregue aos cuidados de Mesmer. O titânico esforço de restaurar sua vista tomou tempo e sofreu diversos recuos, mas por fim ela teve sua visão completamente de volta. Herr von Paradis publicou um relato integral da cura nos jornais e expressou publicamente sua gratidão. Funcionários da Faculdade de Medicina testemunharam os resultados, e até mesmo o Barão von Stoerck desculpou-se por ter anteriormente ignorado o trabalho de Mesmer.



Diversos médicos ultrajados declararam que a cura era fraudulenta e uma impostura porque Marie-Therese não podia reconhecer e nomear objetos que ela declaradamente via pela primeira vez em sua vida. Rumores e intrigas palacianas sugeriam que, uma vez que Marie-Therese podia ver, sua pensão devia ser revogada, e mesmo que o pai seria parte de uma intriga para denegrir a profissão médica. Por duas vezes Marie-Therese foi tirada dos cuidados de Mesmer, e depois de violentas cenas nas quais ela protestou contra sua remoção forçada, sua cegueira e convulsões voltaram. Herr von Paradis declarou então que a cura era uma fraude e uniu-se a um coro de vozes que clamava pela condenação régia de Mesmer. Embora um número de altos oficiais, incluindo o Conselheiro Áulico e o Diretor da Chancelaria de Estado, testemunhassem sob juramento seus métodos e descobertas, Mesmer sentiu-se esgotado. Ele deixou Viena e viajou para relaxar e conseguir algum repouso.



Chegando em Paris em fevereiro de 1778, foi tratado com gentileza pela Faculdade de Paris e obteve o patrocínio de Maria Antonieta. Para provar seu sistema, ele aceitou os piores casos que a Faculdade e os hospitais podiam arranjar, e efetuou curas que suscitaram lovour. Visitado agora pela nobreza francesa e austríaca, e patrocinado pelo Dr. d'Eslon, Médico do Conde d'Artois, da Princesa de Lamballe, do Príncipe de Condé, do Dique de Boubon e de Lafayette, Mesmer encontrou a segurança e interesse que Viena lhe recusara. Ele converteu a Mansão Bouillon em um hospital e tratava os pacientes gratuitamente.



CONTINUA...


Toque Terapêutico




A troca de energia através das mãos tem sua eficácia divulgada em várias correntes filosóficas e nos últimos 40 anos a ciência traz pesquisas da aplicação e benefícios da mesma na área da saúde.




O Toque Terapêutico é uma técnica contemporânea de terapia complementar desenvolvida por Dolores Krieger e Dora Kunz, na década de 70. A expressão “toque terapêutico” corresponde à conhecida técnica de “imposição de mãos”, amplamente estudada pela Doutrina Espírita como fator promotor de benefícios na área da saúde. Por ser um meio não-invasivo, pode ser utilizado como complemento da terapia ou tratamento utilizado nos doentes.


O toque terapêutico tem registros antigos: aparece no Papiro de Ebers, um dos tratados médicos mais antigos e importantes que é conhecido. Este tratado foi escrito no Antigo Egito e é datado de 1552 a.C. A confirmação deste achado aparece também no livro “O Espiritismo perante a Ciência”, de Gabriel Delanne no trecho: “os egípcios ... empregavam, no alívio dos sofri­mentos, os passes e a aposição de mãos, como os executa­mos ainda em nossos dias”. Esta prática aparece por toda a história da humanidade, como na Bíblia, na época dos romanos, na ascensão da medicina árabe com Aviccena, em épocas medievais etc.



O médico Paracelso (1493-1541) coloca mais explicitamente a existência de uma força vital magnética e que essa substância sutil possuía notáveis qualidades curativas. Pode-se encontrar o principio de bases para o magnetismo que viria a ser descoberto alguns séculos depois.



Robert Fludd, médico e místico, atuante no século seguinte à morte de Paracelso, acreditava que os seres humanos possuíam as propriedades magnéticas semelhantes às dos imãs. Esta utilização terapêutica na cura de pessoas começa a ser didaticamente estudada após as descobertas de Franz Mesmer, com o detalhamento do magnetismo animal, em 1779.



No final da década de 60, Dora Kunz estudava a imposição de mãos praticada por Oskar Estebany, um coronel húngaro com a reputação de ter poderes de cura de bócio com seu toque terapêutico. Kunz convidou Krieger a conhecer o trabalho realizado por Estebany. Krieger observava cuidadosamente as sessões onde ele se aproximava do paciente e suavemente movia as mãos para o ponto em que sentia a necessidade de cura. Ao perceber que a prática aliviava e promovia a cura de grande variedade de doenças, Krieger passou a se dedicar a estudar a aplicabilidade deste fenômeno, introduzindo-o no cuidado com o paciente.



Em meados da década de 70, Dolores Krieger, enfermeira e professora na escola de Enfermagem da universidade de Nova Iorque, e a terapeuta Dora Kunz introduziram a prática que denominaram “toque terapêutico”, com a finalidade de promover a melhora da saúde física e emocional.



Os princípios científicos que sustentam esta terapia baseiam-se na concepção de que o ser humano possui um campo de energia que pode estender-se além da pele, é abundante, e flui em determinados padrões que se pretendem equilibrados.



A metodologia deste trabalho é bem semelhante ao passe ministrado em centros espíritas: a pessoa que aplica o toque terapêutico entra em estado meditativo objetivando a cura do paciente. Com compaixão e motivação, o curador foca o desejo de ajudar e até mesmo curar o individuo. Esta vontade é parte importante do processo. Com este pensamento, o campo de energia individual é acessado e a troca de energia faz-se real. As mãos podem agir como um instrumento onde a sensibilidade e a intuição ficam mais vulneráveis a sensações que indicam onde a energia do paciente possa apresentar algum bloqueio. Após a determinação onde das áreas que possam estar em desequilíbrio, o curador começa a mover ou distribuir a energia pelo corpo, aliviando partes doloridas ou congestionadas e melhorando aquelas que estão sem tanta energia.



COMPROVAÇÕES CIENTÍFICAS DO TOQUE TERAPÊUTICO



Desde a década de 60, pesquisas acadêmicas mostram a eficácia da utilização do toque terapêutico, ou imposição de mãos. Inicialmente realizadas com animais, as pesquisas logo foram direcionadas a pessoas com diferentes tipos de patologias.



Em 1975, Dolores Krieger demonstrou os efeitos do toque terapêutico através da medição de índices fisiológicos em seres humanos após estudos laboratoriais. Comprovou que após a imposição de mãos ocorrem significativas alterações fisiológicas em doentes hospitalizados em diferenciados casos clínicos. Este estudo foi publicado na Revista Americana de Enfermagem, em 1979, sob o título de “Therapeutic touch: searching for evidence of physiological change” (Toque Terapêutico: busca por evidências de mudanças fisiológicas).



A maioria dos estudos foi realizada em ambiente hospitalar com grupos de controle. Procedeu a uma investigação com a colaboração de profissionais de saúde em que participaram vários doentes divididos em dois grupos, foram seguidos ao longo de três anos. Um grupo recebeu o tratamento convencional, o outro recebeu, além do tratamento instituído, a imposição de mãos.



Conforme a própria Dolores Krieger escreveu, após detalhado estudo dos benefícios desta prática em pacientes oncológicos, os níveis da hemoglobina nos doentes com neoplasia submetidos ao toque terapêutico aumentaram significativamente, apesar de estarem a ser submetidos à quimioterapia.



De acordo com o Instituto Nacional de Saúde de Washington (EUA), com base em cerca de trinta teses de doutoramento, foi atribuído ao Toque Terapêutico, em 1994, a comprovação da sua eficácia como terapia alternativa.



A maioria dos estudos da evidência científica relaciona-se com a diminuição da intensidade da dor e do estresse e aumenta a resposta em tratamentos, incluindo a cicatrização de cortes e feridas. A diminuição da ansiedade e indução de relaxamento também aparecem com significância em diversos estudos.



Em fevereiro de 2005, o “Australian Nursing Journal” traz um artigo acerca da aplicação do toque terapêutico em idosos com diversas patologias. Foram selecionados 121 doentes de acordo com os critérios de inclusão definidos pelas autoras (Sue Gregory e Julie Verdouw), tendo sido reagrupados conforme as diversas patologias.



Relativamente ao total de doentes que referiam dor (53), após a aplicação da imposição de mãos, os mesmos referiram que a intensidade da dor diminuiu em aproximadamente 40%.



O trabalho desenvolvido pela enfermeira Dolores Krieger tem crescido e angariou muitos adeptos em vários países. O toque terapêutico assumiu a condição de curso, e passou a ser ministrado para os alunos do Mestrado e Doutorado em Enfermagem, na Universidade de Nova Iorque e também pela ordem dos enfermeiros da província de Quebec, no Canadá e por muitos hospitais americanos, sendo incluído no currículo escolar como disciplina na oncologia, saúde materna e nos pacientes com transplante dos órgãos.



Desde a introdução do toque terapêutico, Krieger já divulgou e realizou treinamentos para enfermeiras em várias universidades. Estima-se que mais de 70 mil enfermeiros, fisioterapeutas, auxiliares e terapeutas ocupacionais tenham participado de treinamentos conduzidos por Krieger e sua colega Kunz.



Em 1981, Dolores Krieger publicou “Foundations for Holistic Health Nursing Practices” e o manual “As Mãos: Como usá-las para ajudar ou curar”, em 1992. Seu livro mais recente é “Toque Terapêutico: Novos Caminhos da Cura Transpessoal”, de 2002.



Neste ano, a enfermeira Dolores Krieger participa do 2º Congresso Espírita dos Estados Unidos trazendo um pouco mais sobre as descobertas e pesquisas acerca do toque terapêutico e dos benefícios que esta técnica não-invasiva traz à melhora e até mesmo cura de diversos quadros patológicos.



Por Giovana Campos


Retirado do site da Associação Médico-Espírita do Brasil


Magnetismo, Homeopatia e Espiritismo



Todo grande pensamento ou idéia religiosa não surge de repente, mas há que se haver uma preparação do solo para que a semente seja lançada e frutifique. Assim ocorreu com o Espiritismo cujo Codificador, Allan Kardec estudou por 35 anos o Magnetismo Animal, ou Mesmerismo, antes de se dedicar à Doutrina Espírita.

A Homeopatia, criação inspirada de Samuel Hahnemann, e o Magnetismo, proporcionaram o enraizamento de idéias que preparavam as almas européias sensíveis a pensarem o Ser Humano como um ser bio-psico-social dotado de uma alma, componente de uma centelha que sustenta a vida. Não mais a influência de uma medicina medieval, materialista, mecanicista, mas uma ciência médica voltada para enxergar homem e o princípio vital contido em seu espírito.



Magnetismo e Homeopatia, portanto, se tornaram forças equilibrantes e opostas, na Europa e no Brasil, às idéias materialistas que permeavam o mundo pós-Inquisição. As doutrinas de Auguste Comte e Spencer seduziam milhares de criaturas se opondo intransigentemente ao sobrenatural, reforçando o “espírito positivo” e rejeitando qualquer cogitação das primeiras causas.

Ao tempo de Hahneman, a medicina oficial era um conjunto anacrônico de princípios, teorias e práticas empíricas, eminentemente drenadoras. Sua base eram as “sangrias”, os purgantes, os vomitórios e outros recursos criados sem um estudo metódico e científico.



A Homeopatia trouxe uma farmacodinâmica própria, considerando não só os limites materiais do indivíduo, mas penetrando no conhecimento da intimidade discreta e sutil de seu corpo bioplasmático.



Escreveu Mesmer em 1799:


As primeiras curas obtidas de algumas doenças consideradas incuráveis pela Medicina, suscitaram inveja e produziram mesmo ingratidão, que se somaram para ampliar as prevenções contra meu método de cura. Muitos sábios uniram-se para fazer cair senão no esquecimento, pelo menos no desprezo, as aberturas que realizei neste campo: divulgou-se por toda parte como impostura. Mas que, longe de me desencorajar, redobraram meus esforços para o triunfo das verdades que acho essenciais à felicidade dos homens.”



Enquanto os Médicos de sua época exerciam a medicina heróica, tradicional, desde Galeno no século II, por sua vez, Mesmer foi formado pela Universidade de Viena, então reformada por Van Swieden, na escola clínica de Boerhaave (conhecido como professor da Europa ou Hipócrates holandês).



Mesmer cursou as faculdades de teologia, filosofia, medicina, e em parte, de direito. Seu terceiro doutorado, foi em Medicina, pela Universidade de Viena, reformulada por Van-Swieten, discípulo de Boerhaave, o criador da clínica moderna, que propôs uma retomada dos princípios da medicina científica e vitalista, fruto da observação junto aos pacientes e do uso da razão, recuperando os princípios do pai da medicina, o grego Hipócrates (vis medicatrix naturae). Incluía o estudo de ciências naturais, física, química e as então recentes descobertas fisiológicas.



Para Boerhaave, uma vis vitae, ou força vital, era responsável pela manutenção da saúde orgânica, como para todos os vitalistas científicos, que estavam se contrapondo ao materialismo mecanicista da medicina oficial, a prática médica heróica milenar.



Muitas mentiras e difamações sofreu Mesmer e até mesmo uma das obras tidas como principais de sua bibliografia, AFORISMOS DE MESMER foi desautorizada por ele, tendo sido compilada por seus alunos de um curso dado por ele.



Sua obra principal foi “Mémoires de F. A. Mesmer, docteur em médicine, sur ses découvertes.” Paris, 1799. (“Memórias de F. A. Mesmer, Doutor em Medicina, Sobre Suas Descobertas”). Esta obra contém o modelo teórico da terapia do Magnetismo Animal, sonambulismo provocado e lucidez sonambúlica, diferentes tons de movimentos (vibrações) do Fluido Universal: luz, eletricidade, magnetismo mineral, gravidade, magnetismo animal e todas as coisas.



A terapia do Magnetismo animal acelera o ciclo das doenças, antecipando a crise (crisis hipocrática) e restabelecendo o estado de equilíbrio, ou saúde.



Esclarece Mesmer em sua obra principal, ainda hoje desconhecida da geração atual:



É o empirismo ou a aplicação às cegas dos meus procedimentos, que deram lugar às prevenções e às críticas indiscretas que se fizeram contra esse novo método. Estes procedimentos se não forem razoáveis, se assemelharão a afetações tão absurdas quanto ridículas, às quais será impossível atribuir fé.



Sexto sentido, instinto, sonambulismo provocado.



1. Como o homem adormecido pode julgar e prevenir suas moléstias, e mesmo as dos outros?



2. Como, sem qualquer instrução, pode indicar os meios mais adequados à cura?



3. Como pode ver objetos afastados, e pressentir os acontecimentos?



4. Como o homem pode receber impressões de uma outra vontade que não a sua ?



5. Por que o homem não é sempre dotado dessas faculdades?



6. Como são passíveis de aperfeiçoamento?



7. Por que este estado é mais freqüente, e parece ser mais perfeito após o emprego do processo do Magnetismo Animal?



8. Quais têm sido os efeitos da ignorância destes fenômenos e quais são eles ainda hoje?



9. Quais são os inconvenientes resultantes do abuso que deles se faz?




Declarou Kardec na Revista Espírita de 1868:



O Magnetismo, a Homeopatia, e o Espiritismo.



A cura só é completa após a destruição das causas. Eis porque os tratamentos terapêuticos muitas vezes necessitam ser completados por tratamento fluídico e reciprocamente. Eis, também, porque as curas instantâneas, que ocorrem nos casos em que a predominância fluídica é, por assim dizer, exclusiva, jamais poderão tornar-se um meio curativo universal. Não são, conseqüentemente, chamadas a suplantar nem a medicina, nem a homeopatia, nem o magnetismo comum.




Hahnemann, por sua vez, escreveu no ORGANON, a “bíblia” da Homeopatia:



Organon, Parágrafo 288:



Neste ponto acho ainda necessário fazer menção ao chamado Magnetismo Animal, ou melhor, ao Mesmerismo (como deveria ser chamado, graças a Mesmer, seu fundador), que difere da natureza de todos os outros medicamentos. Essa força curativa, muitas vezes tolamente negada e difamada ao longo de um século inteiro, esse maravilhoso e inestimável presente com que Deus agraciou o Homem, mediante o qual, através da poderosa vontade de uma pessoa bem intencionada sobre um doente, por contato, ou mesmo sem ele, e mesmo a uma certa distância, a força vital do mesmerizador sadio, dotado com essa força, aflui dinamicamente para um outro indivíduo (...)



Já no Plano Espiritual, viria declarar mais tarde, Hahnemann:



O Espiritismo será um poderoso auxiliar da Medicina. Graças a ele, ela abandonará a tradição materialista que, há muito tempo, retardou o seu vôo.




Para ver o texto original em PDF – CLIQUE AQUI


Para ver o texto original em HTML – CLIQUE AQUI



A Tina de Mesmer

Tina de Mesmer (Museu de História da Medicina e da Farmácia de Lyon)



Nos primeiros tempos da descoberta do magnetismo, Mesmer e outros magnetizadores faziam uso de alguns instrumentos, como a tina (ou baquet), a varinha de metal, a magnetização da água, garrafas e de árvores, para aplicação do magnetismo animal.



O instrumento mais utilizado por Mesmer, principalmente enquanto permaneceu em Paris, foi a ‘tina mesmérica’ ou ‘baquet’.



Descreveu Puységur * (1784):



“O fundo da tina do senhor Mesmer é composto de garrafas arranjadas entre si de maneira particular. Acima dessas garrafas, coloca-se água até uma certa altura; varas de ferro, cujas extremidades tocam a água, saem dessa tina; e a outra extremidade, terminada em ponta, se aplica sobre os doentes. Uma corda, em comunicação com o reservatório magnético e o reservatório comum, liga todos os doentes uns aos outros; de modo que existe uma circulação de fluido ou de movimento que serve para estabelecer o equilíbrio entre eles. (...) Se desejar, utiliza-se uma vara de ferro, terminada em ponta, apoiada no meio da tina, que se pode tocar de tempo em tempo, ou de uma recarga que se pode operar à vontade, mantendo este movimento na direção dada; e por intermédio da corda que serve para ligar todos os doentes entre si, chega, como já disse acima, um combate, em cada indivíduo, pelo restabelecimento do equilíbrio, do fluido ou movimento elétrico animal.”



“Toca-se cada uma das garrafas que entram no reservatório magnético, e se lhe comunica então uma impulsão elétrica animal; carrega-se também a água que recobre as garrafas, e, por esta operação, determinam-se as correntes de movimentos que serão levadas para os pontos necessários dos doentes.”


“A tina, sem a ajuda do magnetizador, não deve ser vista senão como um acessório do tratamento magnético, pois que seu efeito, muito secundário, é primeiramente o de manter um movimento já impresso do que imprimir um por si mesma.”



* Marquês de Puységur – Discípulo de Mesmer



Os objetos eram utilizados apenas como condutores ou intermediários da ação do magnetizador. Quando visitavam Mesmer, os médicos alopatas ficavam confusos porque não encontravam qualquer tipo de remédio ou prática invasiva no tratamento dos doentes.



No entanto, Mesmer considerava transitório, e até irrelevante, o uso de instrumentos em sua terapia. A tina remediava o problema causado pelo pequeno espaço disponível no seu apartamento da praça Vendôme, sua clínica em Paris.



“É de se presumir que, se eu tivesse um estabelecimento cômodo, supriria as tinas. Em geral, uso apenas pequenos meios, e isso quando necessários.” (Mesmer, 1799)



Edição de texto retirado do livro: “Mesmer, a ciência negada e os textos escondidos” – Paulo Henrique de Figueiredo – Ed. Lachâtre


Blog 'Espírita na Net' - Posts Recentes

Visite!

Clique no livro e leia "O Evangelho Segundo o Espiritismo"

IP
Este blog é melhor visualizado no Firefox!
Firefox

  © Blogger template 'Perfection' by Ourblogtemplates.com 2008

Back to TOP