Sejam bem-vindos ao blog 'Magnetismo'!

Abordaremos aqui temas especialmente relacionados ao 'Magnetismo Animal', suas aplicações aos métodos de cura e sua ligação com a Doutrina Espírita, entre outros temas afins.

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Sábado, 4 de Julho de 2009

A Terapêutica da Prece


No tratamento da obsessão, é necessário salientar a terapêutica da prece como elemento valioso de introdução à cura.


Não ignoramos que a psiquiatria, nova ciência do mundo médico, apesar de teorizada nos hospícios, somente corporificou-se na prática que a define, nos campos de guerra do século presente. Chamados ao pronto-socorro das retaguardas, desde o conflito russo-japonês, os psiquiatras esbarram com numerosos problemas da neurose traumática, identificando as mais estranhas moléstias da imaginação e usando a palavra de entendimento e simpatia como recurso psicoterápico de incalculável importância.


Por isso, dispomos, atualmente, na moderna psicanálise, da psicologia do desafabo como medicação regeneradora. A confissão do paciente vale por doação de novas formas-pensamento, na amparo de cérebro enfermiço.


Invocamos semelhante apontamento para configurar na luta humana verdadeiro combate evolutivo em que milhares de almas caem diariamente nos meandros das próprias complicações emocionais, entretanto, sem perceber, na faixa das forças inferiores que, a surgirem de nosso passado, nos espreitam e geram em nosso prejuízo dolorosos processos de obsessão, retardando-nos o progresso, por intermédio dos pensamentos desequilibrados com que se justapõem à nossa vida íntima.


É por essa razão que vemos, tanto nos círculos terrestres, como nas regiões inferiores da vida espiritual, as enfermidades-alucinações que se alojam na mente, ao comando magnético dos poderes da sombra, com os quais estejam em sintonia.


E a técnica das inteligências que nos exploram o patrimônio mento-psíquico, baseia-se, de maneira invariável, na comunhão telepática, pela qual implantam naqueles que lhes acedem ao domínio as criações mentais perturbadores, capazes de lhes assegurar o continuísmo da vampirização.


Atentos, assim, à psicogênese desses casos de desarmonia espiritual, quase sempre formados pela influenciação consciente ou inconsciente das entidades infelizes, desencarnadas ou encarnadas, que se nos associam à experiência cotidiana, recorramos à prece como elementos de ligação com os Planos Superiores, exorando o amparo dos Mensageiros Divinos, cujo pensamento sublimado pode criar, de improviso, novos motivos mentais em nosso favor ou em favor daqueles que nos propomos socorrer.


Não nos esqueçamos de que possuímos na oração a nossa mais alta fonte de poder, em razão de facilitar-nos o acesso ao Poder Maior da Vida. Assim sendo, em quaisquer emergências da tarefa assistencial, em nosso benefício ou em benefício dos outros, não olvidemos o valor da prece em terapia, recordando a sábia conceituação do Apóstolo Thiago, no versículo 16 do capítulo 5, em sua Epístola Universal: - “Orai uns pelos outros, a fim que sareis, porque a prece da alma justa muito pode em seus efeitos”.


Francisco Menezes Dias da Cruz
Do livro “Religião dos Espíritos”
Psicografado por Francisco Cândido Xavier

Domingo, 21 de Junho de 2009

Nada de Coitadinho



Nascido em Ituiutaba (MG) a vida do médium Jerônimo Mendonça (1939-1989) foi um exemplo de superação de limites. Totalmente paralítico há mais de trinta anos, sem mover nem o pescoço, cego há mais de vinte anos, com artrite reumatóide que lhe dava dores terríveis no peito e em todo o corpo, era levado por mãos amigas pelo Brasil afora, para proferir palestras. Foi tão grande o seu exemplo que foi apelidado “O Gigante Deitado” pelos amigos e pela imprensa.


Houve uma época, em meados de 1960, quando ainda enxergava, que Jerônimo quase desencarnou. Uma hemorragia acentuada, das vias urinárias, o acometeu. Estava internado num hospital de Ituiutaba quando o médico, amigo, chamou seus companheiros espíritas que ali estavam e lhes disse que o caso não tinha solução. A hemorragia não cedia e ele ia desencarnar.


- Doutor, será que podemos pelo menos levá-lo até Uberaba, para despedir-se de Chico Xavier? Eles são muitos amigos.


- Só se for de avião. De carro ele morre no meio do caminho.


Um de seus amigos tinha avião. Levaram-no para Uberaba. O lençol que o cobria era branco. Quando chegaram a Uberaba, estava vermelho, tinto de sangue. Chegaram à Comunhão Espírita, onde o Chico trabalhava então. Naquela hora ele não estava, participava de trabalho de peregrinação, visita fraterna, levando o pão e o evangelho aos pobres e doentes.


Ao chegar, vendo o amigo vermelho de sangue disse o Chico:


- Olha só quem está nos visitando! O Jerônimo! Está parecendo uma rosa vermelha! Vamos todos dar uma beijo nessa rosa, mas com muito cuidado para ela não “despetalar”.


Um a um os companheiros passavam e lhe davam um suave beijo no rosto. Ele sentia a vibração da energia fluídica que recebia em cada beijo. Finalmente, Chico deu-lhe um beijo, colocando a mão no seu abdome, permanecendo assim por alguns minutos. Era a sensação de um choque de alta voltagem saindo da mão de Chico, o que Jerônimo percebeu. A hemorragia parou.


Ele que, fraco, havia ido ali se despedir, para desencarnar, acabou fazendo a explanação evangélica, a pedido de Chico, e em seguida veio a explicação:


- Você sabe o porquê desta hemorragia, Jerônimo?


- Não, Chico.


- Foi porque você aceitou o “coitadinho”. Coitadinho do Jerônimo, coitadinho... Você desenvolveu a autopiedade. Começou a ter dó de você mesmo. Isso gerou um processo destrutivo. O seu pensamento negativo fluidicamente interferiu no seu corpo físico, gerando a lesão. Doravante, Jerônimo, vença o coitadinho. Tenha bom ânimo, alegre-se, cante, brinque, para que os outros não sintam piedade de você.


Ele seguiu o conselho. A partir de então, após as palestras, ele cantava e contava histórias hilariantes sobre as suas dificuldades. A maioria das pessoas esquecia, nestes momentos, que ele era cego e paralítico. Tornava-se igual aos sadios.


Sobreviveu quase trinta anos após a hemorragia “fatal”. Venceu o “coitadinho”.


Que essa história nos seja um exemplo, para que nos momentos difíceis tenhamos bom ânimo, vencendo a nossa tendência natural de autopiedade e esmorecimento.


Extraído do Jornal Espírita de Setembro de 2007


Sábado, 6 de Junho de 2009

Alimentos, metais e objetos diversos magnetizados


Não existem, propriamente falando, corpos inertes na natureza; todos os corpos são, antes de tudo, condensadores de movimento, e é sob este aspecto que eles são influenciáveis pelas nossas radiações.

Os corpos magnetizados auxiliam admiravelmente num tratamento os efeitos da magnetização direta: são excelentes intermediários. Magnetizam-se corpos de qualquer natureza, a fim de empregá-los como acessórios: a água, os tecidos, a madeira, os metais, a cera, o vidro são igualmente bons condensadores das correntes.

Qualquer objeto pode ser magnetizado e armazenar os eflúvios magnéticos, a fim de servir de intermédio às magnetizações indiretas; empregam-se para isso tecidos, alimentos, metais etc.

Magnetiza-se um lenço, um pedaço de flanela, um retalho de algodão, soprando quente sobre eles e conservando o tecido desdobrado na mão esquerda, enquanto com a mão direita se fazem passes ou apresentam-se os dedos em ponta.

Quando os doentes manifestam repugnância por certos pratos ou bebidas que lhes poderiam ser úteis, ou porque o estômago esteja preguiçoso e degira mal, magnetizam-se todos os alimentos a fim de facilitar-lhes a ingestão e digestão. Para magnetizar os alimentos sólidos, apresentam-se os cinco dedos reunidos em ponta alguns centímetros acima do vaso que os contêm, e termina-se a operação por alguns passes.

Quanto aos objetos metálicos, ainda que bons condensadores, não podem ser de uso corrente como a água, o vidro, e os panos; por isso que, possuindo propriedades especiais, por si mesmos influenciam mui diversamente o organismo em razão das idiossincrasias e dos temperamentos.

O Som

Toda a emissão de som favorece a ação magnética, com a condição, que os sons sejam harmônicos e não venham surpreender com um ruído dissonante de um choque.

O vento, o farfalhar das folhas, o murmúrio dum regato, a queda duma cascata ou de um repuxo, auxiliam a ação magnética e concorrem para o sono magnético, se o doente for predisposto a isso. (Mesmer, Aph. 164)

A música, principalmente quando melodiosa e suave, tem uma influência enorme sobre os nervos, produz muitas vezes crises úteis e o êxtase; a sua potência expansiva pode, em certos casos, ajudar a resolver favoravelmente os mais graves estados críticos.

Vidro magnetizado

Depois da água, é o vidro o corpo que melhor se magnetiza e que melhor pode preencher o papel de intermediário entre o magnetizador e o doente.

O vidro parece possuir propriedades inteiramente especiais de condensação, e, de todos os corpos inertes, é ele que atua magneticamente sobre o organismo com maior intensidade.

Quando se quer concentrar as correntes e atuar com mais atividade sobre um órgão afetado, magnetizam-se campânulas, placas ou bocais de vidro para cobrirem a parte doente. Nas moléstias de olhos, magnetizam-se os vidros das lunetas ou os óculos.

Grande número de magnetizadores entre os quais o Sr. de Puységur, o Dr. Roulier, Aubin Gauthier, preconizaram o emprego de medalhões de vidro, que eles magnetizavam e faziam trazer suspensos numa fita ao pescoço dos doentes. A aplicação dessas placas de vidro sobre o estômago e sobre o coração era para eles de um grande auxílio a fim de acalmarem as dores, as palpitações e desfazerem obstruções. Haviam notado que o vidro magnetizado prende-se à pele, enquanto que aquele que não é, deixa de lhe aderir.

Magnetiza-se uma placa ou um disco de vidro soprando quente por cima e fazendo passes em sua superfície; faz-se também imposições, cercando o disco com os cinco dedos de uma das mãos, e colocando os cinco dedos da outra mão, reunidos em ponta ou em feixe. Magnetiza-se um bocal ou qualquer outro corpo oco, introduzindo nele uma das mãos aberta, de modo a sustentá-lo sobre a ponta dos cinco dedos, e com a a outra magnetiza-se por meio de passes. Magnetizam-se lunetas, colocando o polegar sobre os vidro e deixando-o aí apoiado por alguns instantes faz-se em seguida passes ao longo dos ramos, do centro para cada extremidade. 
 
Do livro Magnetismo Curador - Alphonse Bué

Sexta-feira, 15 de Maio de 2009

Mesmer fala sobre mediunidade e magnetismo


Mensagens de Mesmer (Espírito): A Revista Espírita, editada por Allan Kardec, em suas edições de Janeiro e Outubro/1864 e Maio/1865 publicou quatro instrutivas mensagens mediúnicas assinadas por Mesmer, abordando os temas: Médiuns Curadores, Fenômenos Espíritas, Imigração dos Espíritos Superiores para a Terra e Criações Fluídicas.

Dentre os seus conceitos sobre mediunidade de cura e magnetismo, destaca-se o seguinte tópico: “A vontade desenvolve o fluido seja animal, seja espiritual, porque, o sabeis todos agora, há vários gêneros de magnetismo, entre os quais estão o magnetismo animal e o magnetismo espiritual que pode, segundo a ocorrência, pedir apoio ao primeiro. Um outro gênero de magnetismo, muito mais poderoso ainda, é a prece que uma alma pura e desinteressada dirige a Deus.” (Revista Espírita, Jan./1864, p. 7, IDE.)

Vejamos abaixo, na íntegra, a mensagem que acabamos de citar:

Médiuns Curadores

A vontade, existindo no homem em diferentes graus de desenvolvimento, serviu, em todas as épocas, seja para curar, seja para aliviar. É lamentável ser obrigado a constatar que ela foi também a fonte de muitos males, mas é uma das consequências do abuso que, frequentemente, o ser faz de seu livre arbítrio.

A vontade desenvolve o fluido seja animal, seja espiritual, porque, o sabeis todos agora, há vários gêneros de magnetismo, entre os quais estão o magnetismo animal e o magnetismo espiritual que pode, segundo a ocorrência, pedir apoio ao primeiro. Um outro gênero de magnetismo, muito mais poderoso ainda, é a prece que uma alma pura e desinteressada dirige a Deus.

A vontade foi, frequentemente, mal compreendida; em geral aquele que magnetiza não pensa senão em desdobrar sua força fluídica, senão em derramar seu próprio fluido sobre o paciente submetido a seus cuidados, sem se ocupar se há ou não uma Providência que nisso se interessa tanto e mais do que ele; agindo só, não pode obter senão o que sua única força pode produzir; ao passo que nossos médiuns curadores começam por elevar sua alma a Deus, e para reconhecer que, por eles mesmos, não podem nada; fazem, por isso mesmo, um ato de humildade, de abnegação; então, confessando-se muito fracos por si mesmos, Deus, em sua solicitude, lhes envia poderosos recursos que não pode obter o primeiro, uma vez que se julga suficiente para a obra empreendida. Deus recompensa sempre a humildade sincera elevando-a, ao passo que rebaixa o orgulho.

Esse recurso que envia, são os bons Espíritos que vêm penetrar o médium de seu fluido benfazejo, que este transmite ao enfermo. Também é por isso que o magnetismo empregado pelos médiuns curadores é tão poderoso e produz essas curas qualificadas de miraculosas, e que são devidas simplesmente à natureza do fluido derramado sobre o médium; ao passo que o magnetizador comum se esgota, frequentemente, em vão, em fazer passes, o médium curador infiltra um fluido regenerador pela única imposição das mãos, graças ao concurso dos bons Espíritos; mas esse concurso não é concedido senão à fé sincera e à pureza de intenção.”

MESMER (Médium - Sr. Albert)
Revista Espírita – Ano 7 – Janeiro/1864

Segunda-feira, 11 de Maio de 2009

Poder fluídico



É fato incontestável a ação fisiológica de indivíduo a indivíduo, com ou sem contacto. Semelhante ação evidentemente só pode ser exercida por um agente intermediário, do qual são reservatório o nosso corpo, os nossos olhos e os nossos dedos, principais órgãos de emissão e de direção. Esse agente invisível é necessariamente um fluido. Quais a sua natureza e a sua essência? Quais as suas propriedades íntimas? Será um fluido especial, ou uma modificação da eletricidade, ou de algum outro fluido conhecido? Não será antes o a que hoje damos o nome de fluido cósmico, quando se acha esparso na atmosfera, e fluido perispirítico, quando individualizado?


O fluido perispirítico é imponderável, como a luz, a eletricidade e o calórico. É-nos invisível, no nosso estado normal, e somente por seus efeitos se revela. Torna-se, porém, visível a quem se ache no estado de sonambulismo lúcido e, mesmo, no estado de vigília, às pessoas dotadas de dupla vista. No estado de emissão, ele se apresenta sob a forma de feixes luminosos, muito semelhante à luz elétrica difundida no vácuo. A isso, em suma, se limita a sua analogia com este último fluido, porquanto não produz, pelo menos ostensivamente, nenhum dos fenômenos físicos que conhecemos. No estado ordinário, denota matizes diversos, conforme os indivíduos que o emitem: ora vermelho fraco, ora azulado, ou acinzentado, qual ligeira bruma. As mais das vezes, espalha sobre os corpos circunjacentes uma coloração amarelada, mais ou menos forte. Sobre essa questão, são idênticos os relatos dos sonâmbulos e dos videntes.


Nenhum corpo lhe opõe obstáculo; ele os penetra e atravessa todos. Até agora nenhum se conhece que seja capaz de o isolar. Somente a vontade lhe pode ampliar ou restringir a ação. A vontade, com efeito, é o seu mais poderoso princípio. Pela vontade, dirigem-se-lhe os eflúvios através do espaço, saturam-se dele alguns objetos, ou faz-se que ele se retire dos lugares onde superabunda. Digamos, de passagem, que é neste princípio que se funda a força magnética. Parece, enfim, que ele é o veículo da vista psíquica, como o fluido luminoso o é da vista ordinária.


O fluido cósmico, conquanto emane de uma fonte universal, se individualiza, por assim dizer, em cada ser e adquire propriedades características, que permitem distingui-lo de todos os outros. Nem mesmo a morte apaga esses caracteres de individualização, que persistem por longos anos após a cessação da vida, coisa de que já hemos podido convencer-nos. Cada um de nós tem, pois, o seu fluido próprio, que o envolve e acompanha em todos os movimentos, como a atmosfera acompanha cada planeta. É muito variável a extensão da irradiação dessas atmosferas individuais.


Achando-se o Espírito em estado de absoluto repouso, pode essa irradiação ficar circunscrita nos limites de alguns passos; mas, atuando a vontade, pode alcançar distâncias infinitas. A vontade como que dilata o fluido, do mesmo modo que o calor dilata os gases. As diferentes atmosferas individuais se entrecruzam e misturam, sem jamais se confundirem, exatamente como as ondas sonoras que se conservam distintas, a despeito da imensidade de sons que simulta neamente abalam o ar. Pode-se, por conseguinte, dizer que cada indivíduo é centro de uma onda fluídica, cuja extensão se acha em relação com a força da vontade, do mesmo modo que cada ponto vibrante é centro de uma onda sonora, cuja extensão está na razão propulsora do fluido, como o choque é a causa de vibração do ar e propulsora das ondas sonoras.


Das qualidades peculiares a cada fluido resulta uma espécie de harmonia ou desacordo entre eles, uma tendência a se unirem ou evitarem, uma atração ou repulsão, numa palavra: as simpatias ou antipatias que se experimentam, muitas vezes sem manifestas causas determinantes. Se nos colocamos na esfera de atividade de um indivíduo, a sua presença não raro se nos revela pela impressão agradável ou desagradável que nos produz o seu fluido. Se estamos entre pessoas de cujos sentimentos não partilhamos, cujos fluidos não se harmonizam com os nossos, penosa reação entra a oprimir-nos e sentimo-nos ali como nota dissonante num concerto! Se, ao contrário, muitos indivíduos se acham reunidos em comunhão de vistas e de intenções, os sentimentos de cada um se exaltam na proporção mesma da massa das forças atuantes. Quem não conhece a força de arrastamento que domina as aglomerações onde há homogeneidade de pensamentos e de vontades? Ninguém pode imaginar a quantas influências estamos assim submetidos, à nossa revelia.


Toda ação física ou moral, patente ou oculta, de um ser sobre si mesmo, ou sobre outro, pressupõe, de um lado, uma força atuante e, de outro, uma sensibilidade passiva. Em todas as coisas, duas forças iguais se neutralizam e a fraqueza cede à força. Ora, não sendo todos os homens dotados da mesma energia fluídica, ou, por outra, não tendo o fluido perispirítico, em todos, a mesma potência ativa, explicado fica por que, nuns, essa potência é quase irresistível, ao passo que, noutros, é nula; por que algumas pessoas são muito acessíveis à sua ação, enquanto que outras lhe são refratárias.


O poder fluídico aplicado à ação recíproca dos homens uns sobre os outros, isto é, ao Magnetismo, pode depender:


1º da quantidade de fluido que cada um possua;
2º da natureza intrínseca do fluido de cada um, abstração feita da quantidade;
3º do grau de energia da força impulsiva; porventura, até, dessas três causas reunidas.


Na primeira hipótese, aquele que tem mais fluido dá-lo-ia ao que tem menos, recebendo-o deste em menor quantidade. Haveria nesse caso analogia perfeita com a permuta de calórico entre dois corpos que se colocam em equilíbrio de temperatura. Qualquer que seja a causa daquela diferença, podemos aperceber-nos do efeito que ela produz, imaginando três pessoas cujo poder representaremos pelos números 10, 5 e 1. O 10 agirá sobre o 5 e sobre o 1, porém mais energicamente sobre o 1 do que sobre o 5; este atuará sobre o 1 mas será impotente para atuar sobre o 10; o 1, finalmente, não atuará sobre nenhum dos dois outros. Será essa talvez a razão por que certos pacientes são sensíveis à ação de tal magnetizador e insensíveis à de tal outro.


Por: Allan Kardec
In: Obras Póstumas

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