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Sejam bem-vindos ao blog 'Magnetismo'!

Abordaremos aqui temas especialmente relacionados ao 'Magnetismo Animal', suas aplicações aos métodos de cura e sua ligação com a Doutrina Espírita, entre outros temas afins.

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As experiências de Mesmer (Parte 2)


Mesmer publicou uma “História da descoberta do Magnetismo Animal” em 1779, na qual ele enumerava seus experimentos, e acrescentava a eles vinte e sete proposições. Ele declarava que:



"Só a experiência vai dissipar as nuvens e lançar luz sobre esta importante verdade: que a Natureza oferece meios universais de cura e preservação do homem."



As seis primeiras proposições estabelecem a existência e atividade cíclica do magnetismo animal:



1. Existe uma influência mútua entre os Corpos Celestes, a Terra e os Corpos Animados.



2. Um fluido universalmente distribuído e contínuo, que é muito diferente do vácuo e de natureza incomparavelmente rarefeita, e por cuja natureza é capaz de receber, propagar e transmitir todas as impressões de movimento, é o meio desta influência.



3. Esta ação recíproca é subordinada a leis mecânicas que são até então desconhecidas.



4. Esta ação resulta em efeitos alternados que podem ser considerados como um Fluxo e Refluxo.



5. Este fluxo e refluxo é mais um menos geral, mais ou menos particular, mais ou menos compósito, de acordo com a natureza das causas que o determinam.



6. É por esta operação (a mais universal daquelas apresentadas pela Natureza) que as proporções de atividade são estabelecidas entre os corpos celestes, a terra e suas partes componentes.



As quatro proposições seguintes explicam a relação do magnetismo animal com a matéria e fazem uma analogia com o magneto:



7. As propriedades da Matéria e dos Corpos Orgânicos dependem desta operação.



8. O corpo animal suporta o efeito alternado deste agente que, insinuando-se na substância dos nervos, afeta-os imediatamente.



9. É particularmente manifesto no corpo humano que o agente tem propriedades similares às do magneto; pólos diferentes e opostos podem igualmente ser distinguidos e podem ser mudados, comunicados, anulados e reforçados; até mesmo o fenômeno de oscilação é observado.



10. Esta propriedade do corpo animal, que o deixa sob a influência dos corpos celestes e das ações recíprocas daqueles que o rodeiam, como demonstrado pela sua analogia com o Magneto, induziu-me a denominá-la MAGNETISMO ANIMAL.



Depois de três proposições sobre a comunicabilidade do magnetismo animal, Mesmer compara sua atividade às da luz, som e eletricidade:



14. Sua ação é exercida à distância, sem auxílio de um corpo intermediário.



15. É intensificado e refletido por espelhos, assim como a luz.



16. É comunicado e intensificado pelo som.



17. Esta propriedade magnética pode ser armazenada, concentrada e transportada.



Ele sugere que existe uma força positiva oposta que poucos corpos contêm e que tem características similares ao magnetismo animal. Então ele explica a diferença entre magnetismo animal e mineral e mostra a relação entre eles:



20. O Magneto, tanto o natural como o artificial, junto com outras substâncias, é suscetível ao Magnetismo Animal, e mesmo à propriedade oposta, sem que seu efeito sobre o ferro e a agulha sofram qualquer alteração em ambos os casos; isto prova que o princípio do Magnetismo Animal difere essencialmente do magnetismo mineral.



21. Este sistema fornecerá novas explicações sobre a natureza do Fogo e da Luz, bem como sobre a teoria da atração, do fluxo e do refluxo, do magneto e da eletricidade.



22. Fará conhecer que o magneto e a eletricidade artificial só têm, no que tange às doenças, propriedades que compartilham com diversos outros agentes providos pela Natureza, e que se efeitos úteis têm derivado do uso da última, eles são devidos ao Magnetismo Animal.



Mesmer conclui com a observação de que “o magnetismo animal pode curar desordens nervosas diretamente e outras desordens indiretamente. Ele pode ser usado junto com remédios, embora pressuponha uma nova teoria sobre a doença. Quando dominado, contudo, habilita o médico a aperfeiçoar sua arte de modo que possa tratar sem receio de fazer mal e assim aliviar os sofrimentos da humanidade.”



A França ofereceu a Mesmer uma pensão em 1780, e ele viveu um período de relativa paz. Em 1782 ele uniu-se a Saint-Martin, Saint-germain e Cagliostro na Convenção Maçônica de Wilhelmsbad. Embora raramente aparecessem juntos em público, eram todos Maçons e membros da Fratres Lucis e mantinham comunicação privada. Um ano mais tarde, Mesmer fundou a Ordem da Harmonia Universal, ostensivamente para instrução sobre o magnetismo animal, mas secretamente para o ensino de antigas práticas de cura dos 'Asclepeia', ou templos de cura. Dentro de um ano as academias ortodoxas haviam reiterado seus antigos ataques, e em março de 1784 o Rei Luís ordenou uma investigação das teorias e tratamentos de Mesmer.



Os acadêmicos indicaram um comitê que incluía entre seus membros Benjamin Franklin, então Embaixador Americano na França, o astrônomo Baille, o químico Lavoisier e o botânico Jussieu. A despeito da pressão das academias, seu compromisso com a observação na ciência impediu que negassem a eficácia das curas de Mesmer, mas suas concepções cruamente empíricas e Aristotélicas sobre o homem tornaram-lhes impossível a crença em um princípio - o magnetismo animal - que não podia ser diretamente percebido fisicamente. Seu relatório, publicado em 11 de agosto de 1784, afirmava a existência de curas admiráveis, mas sustentava que uma vez que o magnetismo animal em si não é observável diretamente, não pode existir, e portanto as curas deviam ser atribuídas á imaginação dos próprios pacientes. Assim, com base em um princípio que não é aceitável na ciência, e mesmo que as curas fossem admitidas e o comitê advertisse contra qualquer ação semelhante, Mesmer foi denunciado como impostor. Mesmer encontrou-se no meio do levante social e político. Em 1791 a Revolução forçou-o, ele agora na penúria, a deixar a França. Ele retirou-se então para a pequena cidade de Frauenfeld perto de Zurique, e discretamente tratava dos camponeses locais sem revelar sua identidade.



Um pequeno volume, “Memórias de F. A. Mesmer”, apareceu em 1799. Mais uma vez ele explicava os fundamentos de sua teoria, mas agora mergulhava no verdadeiro coração da operação magnética.



"Nós possuímos um sentido interior que está em conexão com todo o universo, e que poderia ser considerado como uma extensão da visão. Possuímos a faculdade de sentir na harmonia universal a conexão dos eventos e seres com a nossa própria conservação... A comunicação da vontade reside em um tipo de convenção entre duas vontades, que poderiam ser ditas estar em sintonia."



A chave para o uso curativo do magnetismo animal é a vontade do médico. Seu estado - a qualidade do desejo e da intenção que o motivam - é crítico para a cura. Daí que só aqueles que são qualificados em termos de força e pureza de vontade podem repetir com sucesso as experiências de Mesmer.



Depois da ascensão de Napoleão Bonaparte ao poder, Mesmer recebeu uma nova pensão. Reconvocado a Paris, Mesmer encontrou uma fresca atmosfera de aceitação e testemunhou um contínuo aumento de sua fama. Por volta de 1812 o Rei da Prússia e a Academia Alemã ofereceram-lhe dinheiro e honras, mas ele recusou, para continuar viajando. Ele desejava, dizia, devotar-se exclusivamente à prática de seu método, de modo que a humanidade “não possa mais ser exposta aos incalculáveis riscos do uso das drogas e sua aplicação”. Em 15 de março de 1815 ele discretamente abandonou o mundo depois de ouvir uma peça de música composta por Mozart e tocado em sua cópia do conjunto de vidros musicais inventado por Athanasius Kircher. A Real Sociedade de Paris e o governo alemão ofereceram postumamente prêmios pelos melhores tratados sobre o Mesmerismo, e um grupo de estudantes continuou suas experiências.



Honrado no século XIX mas largamente despercebido, salvo pelos intuitivos, no século XX, Mesmer deixou uma clara delineação das bases da cura mental e fisiológica. Se houver um desvio das concepções patológicas da medicina em direção a um entendimento e prática fundados na vitalidade e harmonia, então uma agradecida humanidade prontamente apreciará Mesmer. Nora Wydenbruck, revisando suas vastas e permanentes conquistas - na medicina, obra social e elevação do espírito humano - conclui:



"Considerado do ponto de vista privilegiado da história, quando os fios trançados do destino humano aparecem coordenados no desenho de toda a grande tapeçaria, a vida de Mesmer aparece como um fio de ouro brilhante."



Autor: Elton Hall
Tradução: Um Colaborador
Revisão: Osmar de Carvalho
Fonte: www.theosophy.org

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