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Da magnetização dos animais e das plantas (Parte 2/2)


A ação magnética sobre as plantas não é menos manifesta do que sobre os animais: pode-se curá-las quando estão doentes, apressar-lhes o crescimento e a florescência; numerosos fatos apresentam-se em apoio do que avançamos.



No ano 1841, em Caen, Lafontaine possuía dois gerânios, um dos quais cheio de seiva, e o outro quase sem vida. Começou a magnetizar este último, que não somente recuperou vitalidade, mas acabou por cobrir-se de largas folhas e crescer mais do que aquele que não estava doente.



O Sr. Dr. Picard, horticultor em São Quintino, fez uma série de experiências sobre enxertos de roseiras.



No dia 5 de abril, sobre seis enxertos feitos nas mesmas condições, ele abandonou cinco ao seu desenvolvimento natural, e magnetizou o sexto; a roseira magnetizada deu, em 10 de março seguinte, dois belos rebentos de 40 centímetros, encimados por dez botões, enquanto que os outros tinham apenas rebentos de 5 a 10 centímetros e os botões estavam longe de despontar.



O enxerto magnetizado produziude 5 de abril a 26 de agosto, em duas florescências, maio e julho, dezoito magníficas rosas e forneceu 38 mudas, das quais muitas deram flores, enquanto que no mesmo período os enxertos não magnetizados só floresceram uma vez, em fins de junho, e deram ramos que atingiram apenas a um desenvolvimento de 15 a 20 centímetros.



O Sr. Picard experimentou igualmente a ação magnética sobre o desenvolvimento das frutas: escolheu, sobre um pessegueiro escorado, um ramo onde havia três pêssegos; magnetizou-os todos os dias por espaço de cinco minutos, e no dia 24 de agosto estavam em perfeita maturação, havendo atingido um desenvolvimento de 21, 22 e 24 centímetros de circunferência, quando os outros frutos da árvore só amadureceram em 25 de setembro e atingiram no máximo a 14 ou 15 centímetros.



Tais fatos não precisam de comentários. Eu mesmo tive frequentes ocasiões de averiguar a benéfica influência que podemos exercer por nossa radiação sobre as plantas; conservei em meu aposento plantas verdes, phenix ou palmeiras, durante dez ou doze anos, no mais perfeito viço; tratei no parapeito de minha janela, de sálvias (plectrantus fructcosus), que atingiram dimensões inteiramente desusadas, produzindo verdadeiros arbustos com mais de 1,50 m de altura e 3 metros de ramagem, não porque eu as magnetizasse todos os dias, mas sim devido aos meus cuidados constantes. A planta é um ser vivo que exige, do mesmo modo que o animal e todos os seres da natureza, não somente os elementos necessários à conservação da sua vitalidade, ar, água, calor, luz, como também afeição. Sim, a planta tal como o próprio animal, não se apraz na solidão: carece de quem a cuide, de quem a toque e se ocupe dela; vive em grande escala das nossas emanações radiantes, e na maioria dos casos morre no abandono e no isolamento, quando a arrancamos do seu estado natural, por isso que a não associamos suficientemente à intimidade do nosso lar.



Pode-se bem fazer uma idéia do efeito produzido por nossa ação radiante sobre as plantas, atuando sobre bulbos de tulipas e de jacintos. Magnetizando todos os dias, por espaço de cinco ou dez minutos, a água dos vasos em que mergulham as raízes desses tubérculos, consegue-se dar à sua seiva uma tal energia vital, que a haste e flor tomam em pouco tempo aparências extraordinárias. Um dos meus amigos tinha sobre a lareira dois bulbos de jacintos cor de rosa, que acabavam apenas de germinar e estavam em grau de igualdade no desenvolvimento; fizemos a experiência de magnetizar um, deixando que o outro se desenvolvesse livremente. A planta magnetizada excedeu muito a sua companheira e atingiu uma altura de mais de cinquenta centímetros. Para evitar que a flor não fizesse cair o vaso, fomos obrigados a dar-lhe um ponto de apoio sobre o espelho da lareira. Este singular resultado, que comuniquei a um dos meus amigos, empregado numa repartição ministerial, induziu-o a repetir a experiência: trouxe bulbos de jacintos para o escritório e começou a magnetizá-los. Muitos dos seus companheiros imitaram-no. Em poucos dias, o campo de experiência alargou-se, e a referida repartição (que não era a de agricultura) tornou-se em breve uma sucursal das estufas da cidade; em todos os escritórios entregaram-se os empregados à cultura do bulbo de tulipa.



Não seria demasiado insistirmos sobre os numerosos fatos que acabamos de citar; porque, fornecendo-nos a prova da ação real do homem sobre os animais e as plantas, demonstram bem que essa ação puramente dinâmica e física, depende da faculdade natural que o homem possui de regular, condensar, e projetar por seu poder de volição, as suas radiações magnéticas ou nêuricas sobre todos os corpos que o rodeiam e de modificar-lhes as correntes. Além disso, mostram-nos a unidade do princípio universal que une na natureza todos os corpos entre si.



Se devemos ser reconhecidos à natureza por ela nos ter outorgado o precioso dom de curar os nossos semelhantes, devemos igualmente agradecer-lhe por nos haver permitido estender os nossos benefícios aos animais domésticos, esses humildes servos que nos ajudam em nossos trabalhos diários e cuja afeição dedicada enche muitas vezes o vácuo dos nossos afetos e solidão do nosso lar.



Não será também para nós uma grande satisfação poder conservar em todo o seu verdor e viço de beleza, essas joviais companheiras das nossas alegrias e tristezas, essas plantas delicadas cujas folhagens e flores constituem o ornato dos nossos jardins e dos nossos salões, e que, em virtude de uma nova moda, ocupam presentemente um lugar tão elevado em nossa vida desde o berço até ao túmulo?



Alphonse Bué


Livro: Magnetismo Curador


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